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Escolarização no hospital

Serviço de educação para crianças internadas é ampliado em Londrina; além do HU, o Hospital do Câncer passa a realizar o atendimento

Segundo a lei, todos têm direito à educação. Entretanto, ainda é comum alunos reprovarem o ano letivo por estarem internados. Em Londrina, o Serviço de Atendimento à Rede de Escolarização Hospitalar (Sareh) acaba de ser ampliado. Além do Hospital Universitário, que oferece o serviço desde 2007, agora os pacientes do Hospital do Câncer de Londrina (HCL) também podem estudar enquanto fazem o tratamento. As aulas tiveram início em abril e ontem foi oficializado o convênio com a Secretaria Estadual de Educação. 

 Gleice Kelen Ferreira, de 14 anos, cursa o 9º ano no Colégio Estadual Olavo Bilac, em Cambé (Região Metropolitana de Londrina) e frequenta as aulas no HCL desde o início. "Descobri o linfoma em novembro do ano passado e devido ao tratamento acabei perdendo as aulas no início deste ano. Agora estou recuperando tudo. Fico feliz em ter aulas aqui, assim não perco o ano" conta.  

A oncologista pediátrica Tânia Anegawa afirma que para os pequenos pacientes é importante saber que não irão perder o ano letivo. "Os alunos ficam constrangidos em voltar para a escola atrasados. Não adianta ter boa saúde e ter dificuldades para se reintegrar. Muitas vezes as famílias são carentes e não conseguem dar esse apoio pedagógico. Podemos até imaginar que as crianças gostam de faltar às aulas, mas elas se sentem valorizadas em ter esse atendimento no hospital. E para nós também é muito bom, afinal, crianças educadas compreendem melhor o tratamento", destaca.  

As aulas têm duração entre 30 e 50 minutos, de acordo com a condição do paciente, que precisa ser liberado pelo médico para estudar. "De acordo com a condição do paciente as aulas podem ser no quarto ou em uma sala específica. A equipe é composta por um pedagogo e três professores, que ministram diferentes disciplinas", explica a responsável pelo Sareh no Núcleo Regional de Educação de Londrina (NRE), Lucinéia da Silva Terra.  

De acordo com ela, o pedagogo é responsável por fazer o levantamento dos pacientes que terão aula naquele dia, entrar em contato com a respectiva escola e verificar qual o conteúdo está sendo ministrado. Desta maneira, quando voltar para a sala de aula, o aluno não terá defasagem. A avaliação pode ser feita através de atividades realizadas no hospital e validadas pela escola ou o próprio colégio envia a mesma prova aplicada aos outros alunos. Não há registro de frequência, já que os alunos estão em atestado médico e o objetivo é não perderem o conteúdo.  

17 instituições

No HCL serão atendidos pelo Sareh os alunos do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental e do 1ª ao 3ª ano do Ensino Médio. "Aqui não há o Sareh municipal, que atende as crianças até o 5º ano do fundamental, como no HU", explica Lucinéia. Segundo ela, para ter o serviço o hospital deve atender a alguns requisitos, como uma determinada quantidade de pacientes internados e espaço disponível para as aulas. "Vamos estudar um outro hospital para ser convidado a implantar o Sareh agora."  

A gestora de Ações Estratégicas e Projetos do HCL, Mara Rossival Fernandes, disse que o projeto demorou dois anos para ser implantado. "Nosso primeiro foco foi o tratamento, agora queremos ser referência também em qualidade", afirma.  

Segundo a Secretaria de Estado de Educação, o serviço que começou em 2007 é oferecido hoje em 17 instituições nos municípios de Curitiba, Londrina, Maringá, Cascavel, Campo Largo, Paranaguá, União da Vitória e Ponta Grossa. Em 2012, 5.457 alunos foram atendidos em todo o Paraná.

 

Fonte: http://www.folhaweb.com.br/?id_folha=2-1--478-20130704
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