Segunda, 06 25th

Last updateQua, 30 Mai 2018 12pm

Serviço de patologia do HCL passa por mudanças

O serviço de patologia do Hospital do Câncer de Londrina tem muitos desafios a serem vencidos, visando, não só a melhoria da qualidade, como também a busca da excelência e, para isto, desde outubro de 2017, tem uma nova dupla no comando: são os médicos patologistas Dra. Angela Gordan e Dr. George Câmara Lopes.

Ela: formada em Medicina pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), em 1999, e especialista em Anatomia Patológica pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). 

Ele: formado em Medicina pela Faculdade de Medicina de Marília, em 2008, e especialista em Anatomia Patológica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Apesar de só passarem a integrar o corpo clínico da instituição no ano passado, em algum momento anterior, os médicos já haviam tido contato com o HCL.

De forma mais estreita, desde 2005, Dra. Angela já prestava alguns serviços pontuais à instituição, especialmente exames imunohistoquímicos. À época, o hospital possuía outra equipe à frente do laboratório. Foi só em 2016 que a demanda se intensificou e ela passou a prestar serviços terceirizados à instituição.

Dr. George, por sua vez, voltou à Londrina, cidade de onde é natural, há cinco anos e desde então atuava em uma clínica particular. Mas, segundo ele, sua meta como profissional sempre foi integrar a equipe do HCL.

“Trabalhar aqui demonstra uma credencial, porque os casos são muito complexos. Além disso, é muito bonito fazer parta da instituição e eu sempre tive esse interesse”, conta.

A concretização desse objetivo veio no ano passado, quando ele deu o aceite para o convite feito pela própria Dra. Angela.

Cenário e primeiras ações

A dupla sabia que o desafio era grande, mas segundo Dr. George, não imaginavam que tanto. “Nosso laboratório realiza cerca de sete mil exames por mês”, destaca.

Segundo ele, a alta demanda contrastou com o fato de que o serviço executado pelo patologista é quase artesanal e praticamente impossível de ser automatizado, o que exige muita mão de obra especializada. 

“Não é como um exame de sangue, onde colhemos o material e colocamos na máquina para que ela processe e dê o resultado. Nós precisamos estar atentos a todos os processos”, explica.

A primeira ação foi a realização de um 5S, metodologia de organização e qualidade amplamente difundida, visando promover melhorias no setor e no ambiente de trabalho.

Também houve mudanças no quadro de colaboradores. Desde março, o laboratório conta com a atuação de mais uma médica patologista, Dr. Amanda Pelegrine Herculiani.

“Quando surgiu a oportunidade, gostei muito da proposta, que era para trabalhar principalmente com a parte de ginecologia e mastologia, que são as áreas que tenho maior interesse. Além disso, também sempre quis trabalhar em um hospital”, conta Dra. Amanda.

Formada em Medicina pela Universidade de Marília (UNIMAR), com residência em Anatomia Patológica pela Universidade de Campinas e passagens pelo A.C.Camargo Cancer Center e pelo Massachusetts General Hospital, da Escola de Medicina de Harvard, nos Estados Unidos, Dra. Amanda é parte essencial do processo de avanço do laboratório de patologia do HCL.

“O processo de mudança é longo, ainda há diversas melhorias a serem implementadas, mas já melhoramos muita coisa, inserimos novos processos...”, completa.

Agora, a próxima ação, demanda identificada pelos próprios médicos e com a concordância da Diretoria Executiva e do Conselho Gestor da instituição, é uma reforma estrutural, que adequará os espaços do laboratório. “O espaço que temos é bom, mas precisamos redistribui-lo para deixar o local mais funcional e mais atual”, explica Dr. George.

Além das mudanças físicas e de recursos humanos, o trabalho também se concentra em diversas melhorias administrativas, que vem sendo possibilitadas por meio da atuação de duas consultorias: uma de São Paulo, especializada em processos técnicos de laboratórios de análises anatomopatológicas, e outra local, especializada em processos administrativos e financeiros.

Estes dois últimos, segundo os médicos, também representam um grande desafio, já que comandar um laboratório anatomopatológico vai muito além de realizar as análises e elaborar laudos. “Nosso trabalho não é simplesmente técnico, é complexo. Temos que fazer toda a administração da unidade e isso envolve gerir recursos humanos, administrativos e financeiros da melhor maneira possível”, ressalta Dra. Angela.

Para os médicos, a fase ainda é turbulenta, mas o foco está nos objetivos futuros, que levarão o laboratório de patologia do HCL ao seu patamar de origem.

Objetivos

Segundo os médicos, todas as ações estão sendo pensadas e desenvolvidas para que a instituição possua um laboratório de análises anatomopatológicas à altura de todo o restante da estrutura.

“Nosso objetivo é transformar o laboratório de patologia do HCL em um centro de referência não apenas para Londrina. Também queremos que ele seja uma unidade autônoma, que receba demandas externas e, com isso, passe a gerar lucro para a instituição”, afirma Dr. George.

As mudanças também visam somar esforços em busca da acreditação hospitalar. “A unidade possuía algumas não conformidades que poderiam impactar na conquista dos selos de acreditação. Com a adequação do serviço e do espaço, pretendemos deixar ao laboratório preparado para as vistorias e, junto aos demais departamentos, levar o hospital a conquistar a acreditação”, projeta.

Outro desejo da dupla – também validado pela gestão do hospital – é desenvolver dentro do laboratório um núcleo de ensino e pesquisa. “Entendemos que a unidade tem um potencial enorme, é muito rica em casos e estatística. Esperamos que, futuramente, com parcerias com instituições de ensino e com a indústria farmacêutica, possamos viabilizar esse sonho”, afirma o médico.

Impacto no tratamento

Embora o conhecimento sobre a função da patologia possa ser um pouco obscuro para muita gente, a especialidade é indispensável e determinante no tratamento oncológico.

“A patologia é a especialidade que mais evolui na medicina, especialmente quando associada à oncologia. É a especialidade responsável por analisar o tumor de cada paciente e indicar ao médico qual tipo de remédio deve ser prescrito”, explica Dr. George.

Por meio de análises moleculares do DNA do tumor, os patologistas identificam proteínas expressas por esse tumor e que dizem se ele responderá a determinado fármaco ou não.

“Isso se chama medicina personalizada. É tratar o paciente de forma individualizada. Trata-se de um ganho inestimável. Com um recurso como esse, temos a possibilidade de estender a sobrevida de um paciente de três meses para dez anos ou mais”, exemplifica o médico.

Com isso, fica fácil entender que todas as melhorias que já estão sendo implantadas no serviço de patologia do HCL e as demais ações ainda previstas têm impacto direto na assistência ao paciente. 

A adoção de boas práticas e de protocolos de rastreabilidade e anticontaminação mais rígidos, por exemplo, garantirão maior segurança no tratamento, uma vez que evitarão a troca ou a perda das amostras. Isso diminui os riscos de falhas e garantirá que a análise dos materiais gere resultados específicos para cada caso.

“Nos baseamos nas diretrizes da Sociedade Brasileira de Patologia e da Sociedade Americana de Patologia. Isso garante laudos atualizados e de elevada qualidade”, atesta Dra. Angela.

Além disso, conforme explica Dr. George, laudos de melhor qualidade técnica possuem maior confiabilidade, ou seja, oferecem aos médicos orientações mais claras e maior embasamento para o desenvolvimento de tratamentos mais assertivos.

Ainda assim, segundo Dra. Angela, a patologia mantém suas portas abertas para que o corpo clínico possa discutir os laudos, da mesma forma que as reuniões científicas passaram a contar com a presença dos três patologistas.

Segundo a médica, é importante que haja essa abertura e integração de forma a garantir que os médicos tenham suas eventuais dúvidas solucionadas e que a patologia esteja a par de todo o desenvolvimento dos casos. E o objetivo, com isso, é um só: oferecer ao paciente a melhor assistência possível. 

Texto e fotos: Assessoria HCL

Você está aqui: Home O Hospital Notícias Serviço de patologia do HCL passa por mudanças