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Quem Fala - Por Dentro do HCL 068/2018

Data de publicação

Nesta edição, quem fala é Diretor Médico-Técnico Dr. Claudio Camacho. Médico há 40 anos e especialista em cirurgia geral e do aparelho digestivo, Dr. Camacho está no HCL desde 2013, quando foi convidado a assumir a cadeira no Conselho Gestor. 

Sob seu comando está a área Médico-Técnica, que trata de questões relacionadas à assistência oferecida aos pacientes por meio da garantia do cumprimento das disposições legais e regulamentares; da disponibilidade dos melhores recursos, técnicas, ferramentas e condições de trabalho ao corpo clínico; entre outras atribuições.

É também uma das tarefas do diretor Médico-Técnico a participação ativa no desenvolvimento e execução do planejamento estratégico da instituição. Desde que entrou no HCL, Dr. Camacho participou e contribuiu para diversas mudanças e melhorias no sistema assistencial.

Ele destaca a reforma e ampliação do Pronto Atendimento (PA), ala recentemente reinaugurada e voltada para o atendimento dos pacientes da instituição em situação de urgência ou emergência. 

“Com um médico permanente, disponível 24 horas, e estrutura adequada, conseguimos aprimorar a qualidade da assistência oferecida aos nossos pacientes e promover a melhoria de nossos serviços”, explica.

As mudanças no PA garantiram uma estrutura completa, com recepção exclusiva, banheiros, dez leitos distribuídos pelas salas de emergência, de triagem, de observação e de inalação, além de sala de coordenação, posto de enfermagem, copa e quarto para o plantonista. 

Além desta ala, as obras também foram estendidas ao Ambulatório, inaugurado em 2013, e ao setor de Endoscopia, entregue oficialmente em 2016. Ao todo, mais de 800 metros quadrados foram modificados e ampliados por meio do Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (PRONON), do Ministério da Saúde.

Outra obra que também contribuiu de forma positiva para o aprimoramento do sistema assistencial e que complementou o atendimento pediátrico oferecido pela instituição foi a UTI Pediátrica, entregue em 2015. “É um setor muito importante. Antes disso, quando o paciente precisava de cuidados intensivos, tínhamos de encaminhá-lo a outro local que dispusesse da estrutura e dos recursos necessários”, explica. 

Mas as melhorias não se resumem às obras. O diretor destaca também a reformulação do ambulatório de oncologia e de quimioterapia, que, entre 2016 e 2017, tiveram um grande crescimento na demanda. “Houve um aumento significativo, que nos exigiu a reformulação de todo o sistema de atendimento, com investimento em mais profissionais”, conta.

O volume de cirurgias de grande porte também cresceu significativamente nos últimos anos: de 2012 para 2017 foram mais de 60% de aumento. O diretor destaca, no entanto, que isso só foi possível graças à ampliação do Centro Cirúrgico, que em 2013 passou de quatro para seis salas. 

A Radioterapia, por sua vez, outro serviço de extrema importância para a assistência ao paciente oncológico, já funciona em sua capacidade máxima. Mas Dr. Camacho explica que planos de expansão e reformulação já estão em andamento.

As mudanças virão com a execução do projeto “O fator humano na busca pela excelência”, elaborado pela Gestão de Ações Estratégicas e Projetos do HCL em conjunto com as gestões de Enfermagem e Administrativa e aprovado recentemente no Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (PRONON) do Ministério da Saúde.

No documento, está prevista a expansão do setor, além da melhoria nos equipamentos já existentes e a aquisição de um novo acelerador linear.

Com isso, o hospital pretende ampliar a oferta de atendimentos para a Radioterapia e agilizar o atendimento, com segurança e humanização nos serviços prestados por meio da disposição de tecnologias mais avançadas e menos invasivas.

Além disso, Dr. Camacho ressaltou outros projetos que terão sequência em 2018, como o de segurança do paciente, a implantação do prontuário eletrônico e o trabalho das comissões internas, que desenvolvem atividades focadas em diferentes áreas.

O primeiro está alinhado ao protocolo de segurança do paciente preconizado pela OMS e difundido pelo Ministério da Saúde e trata de seis premissas: identificação correta do paciente; melhorar a comunicação entre profissionais da saúde; melhorar a segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos; assegurar cirurgia em local de intervenção, procedimento e paciente corretos; reduzir riscos de infecção; e reduzir quedas e lesão por pressão.

“Estamos trabalhado em conjunto com o Núcleo de Segurança do Paciente de forma sistêmica, através de ações de conscientização, treinamentos e atividades específicas voltadas para todos os colaboradores da instituição, não apenas aqueles que fazem parte das equipes assistenciais. Com isso, o objetivo é estimular uma consciência de segurança e, consequentemente, tornar a estadia do paciente no hospital mais eficaz e segura em qualquer situação”, explica.

Da mesma forma, está sendo desenvolvido o projeto de implantação do prontuário eletrônico. O trabalho, que vem sendo feito pela Direção Médico-Técnica e pelo setor de Tecnologia da Informação, tem por objetivo registrar todas as informações úteis de cada paciente de forma informatizada.

“Quando um paciente chega aqui precisamos fazer um registro eletrônico de qual é o tipo de tumor, em qual estágio está, que tipo de tratamento ele vai receber, evolução do quadro etc.”, explica.

Este protocolo, segundo o diretor, promove a segurança das informações e do próprio paciente, além de beneficiar também as equipes médica e assistencial na escolha das condutas a serem tomadas.

As comissões internas também contam com membros representantes de setores variados e da equipe médica. Dentre as várias que estão em atividade junto às gerências Administrativa e de Enfermagem, o diretor destacou as comissões de Controle de Infecção Hospitalar, de Revisão de Prontuários e de Análise de Óbitos, de Ética Médica e de Suporte Nutricional. Ao longo do tempo, outras comissões devem ser criadas e iniciar os trabalhos de forma permanente e constante, cada uma em sua alçada de atuação.

Sobre os objetivos de todos estes projetos, tanto os que já foram implantados quanto os que ainda estão em processo de desenvolvimento, Dr. Camacho é categórico: “trabalhamos 24 horas por dia aqui para duas coisas: oferecermos boas condições de trabalho aos profissionais e para que aqueles que precisam do hospital encontrem o melhor atendimento possível”.

Foto: Assessoria HCL

Leucemia: entenda mais sobre a doença

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*As informações aqui veiculadas foram produzidas a partir do conhecimento de profissionais da área. No entanto, não substituem o acompanhamento e diagnóstico criterioso de um médico, devidamente preparado e habilitado. No caso de dúvidas ou do aparecimento de qualquer sintoma, procure um médico o quanto antes. 


Segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer José de Alencar Gomes da Silva), a leucemia é uma doença maligna dos glóbulos brancos (leucócitos), geralmente, de origem desconhecida. Estima-se que, em 2018, surjam 10.800 novos casos da doença, sendo 5.940 homens e 4.860 mulheres (INCA, 2018).

Na intenção de disseminar mais informações úteis e desmistificar o tema, conversamos com o hematologista do HCL Dr. Luis Gabriel Fernández Turkowski, que esclareceu as principais dúvidas acerca do assunto. Confira!

HCL: O que é leucemia?

Dr. Luis Gabriel: O sangue é composto de plasma (água e proteínas) e elementos celulares (glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas), sendo estes últimos produzidos na medula óssea, que é o tecido formador do sangue. A leucemia é um tipo de câncer no sangue que começa na medula óssea.

HCL: A doença possui alguns subtipos. Quais são?

Dr. Luis Gabriel: A medula óssea produz dois tipos de linhagem celular: mielóide e linfóide. Todos os elementos celulares encontrados na circulação e nos tecidos se originam de uma dessas linhagens. Daí a ocorrência de leucemias mielóides ou linfóides, dependendo de qual tipo precursor a leucemia se origina.

Ambas as linhagens podem originar clones leucêmicos onde as células conseguem amadurecer, mesmo doentes (leucemias crônicas) ou onde as células doentes permanecem imaturas (leucemias agudas).

Portanto, as principais leucemias são a Leucemia Linfoblástica Aguda, a Leucemia Mielóide Aguda, a Leucemia Linfocítica Crônica e a Leucemia Mielóide Crônica.

HCL: Quais deles são mais comuns em adultos e quais são mais comuns em crianças?

Dr. Luis Gabriel: Na faixa etária pediátrica o tipo de leucemia mais comum é a Leucemia Linfoblástica Aguda, inclusive, é o tipo de câncer mais comum nessa faixa etária.

Nos adultos já predominam as Leucemias Mielóides Agudas, que vão aumentando sua incidência com o passar dos anos, e as Leucemias Mielóides Crônicas. As Leucemias Linfocíticas Crônicas são doenças de adultos na faixa etária geriátrica, mais frequente após os 60 anos de vida.

HCL: Existem fatores de risco para o desenvolvimento da doença? Existe prevenção?

Dr. Luis Gabriel: Existem algumas situações que aumentam o risco de surgimento de clones leucêmicos, tais como exposição à radiação e exposição a substâncias químicas. Mas a maioria dos doentes diagnosticados não tem um fator predisponente claro, o que torna difícil estabelecer ações preventivas.

Pessoas com riscos por exposição ambiental (como no caso de trabalhadores da área da saúde que atuam em clínicas de radiologia ou de radioterapia) devem se prevenir com Equipamentos de Proteção Individual (EPI) próprios para cada situação. Mas não existem medidas preventivas para a população em geral.

HCL: Quais são os sintomas mais comuns da doença?

Dr. Luis Gabriel: Os sintomas podem ser específicos da diminuição dos elementos celulares saudáveis do sangue, tais como:

- Relacionados à anemia: fraqueza, cansaço, indisposição, falta de ar e aceleração dos batimentos cardíacos, principalmente aos esforços, além da palidez.

- Relacionados à queda de imunidade: sintomas decorrentes de infecções tais como dor de garganta, tosse, dor para urinar, diarreia ou feridas na pele, além da febre, que pode ocorrer por infecção ou pela própria doença.

- Relacionados aos distúrbios de coagulação: manchas roxas pelo corpo ou sangramentos espontâneos pelo nariz, nas gengivas, na urina ou com as fezes.

E podemos encontrar pacientes com outros sintomas não específicos, tais como dores ósseas, pelo aumento das células cancerosas na medula óssea, emagrecimento, suores noturnos excessivos, etc.

HCL: Como é feito o diagnóstico?

Dr. Luis Gabriel: O diagnóstico das leucemias agudas depende de estudos realizados em amostra de medula óssea. Os exames de sangue, principalmente o hemograma, são importantes para respaldar a indicação dos estudos medulares, mas não o substituem.

Já nas leucemias crônicas os avanços laboratoriais permitem hoje a confirmação do diagnóstico, na maioria dos casos, com amostras de sangue periférico, deixando a coleta de medula óssea restrita a casos selecionados.

HCL: Como é o tratamento?

Dr. Luis Gabriel: O tratamento das leucemias é realizado com medicações que hoje denominamos “Terapia Antineoplásica” (antigamente chamada “quimioterapia”). A radioterapia pode ser tratamento complementar nas Leucemias Linfoblásticas Agudas. E a cirurgia oncológica não tem papel para tratamento nestes tipos de câncer.

Entre as modalidade de Terapia Antineoplásica, está o transplante de medula óssea, que usa megadoses de quimioterapia e reconstituição do tecido produtor de sangue com medula coletada de doadores (transplante alogênico) ou do próprio paciente (transplante autólogo). O transplante pode ser indicado em leucemias com prognóstico sabidamente desfavorável ou em casos de recaída da doença depois de realizado um primeiro tratamento.

As leucemias agudas são tratadas com associação de drogas quimioterápicas. A Leucemia Mielóide Crônica é tratada com medicações que chamamos de Terapia Alvo (“medicamentos inteligentes” que atingem prioritariamente as células doentes).

A Leucemia Linfocítica Crônica em muitos casos pode até nem precisar de tratamento imediato, mas quando necessário, geralmente usamos Terapia Alvo associado ou não a quimioterápicos tradicionais e/ou corticoides.

HCL: Existe cura?

Dr. Luis Gabriel: As leucemias agudas são consideradas potencialmente curáveis ao diagnóstico, ou seja, a chance de cura existe. Isso significa a extinção total e completa das células clonais malignas. Cura não deve ser confundida com “remissão completa”, termo este que indica apenas que a doença ficou indetectável por exames após o término da terapia antineoplásica. Para se estabelecer a cura num tratamento de Leucemia Aguda é necessário que a remissão completa se mantenha por no mínimo cinco anos após o término do tratamento.

As leucemias crônicas não são curáveis, mas a doença pode ser controlada a longo prazo, permitindo uma excelente qualidade de vida.

HCL: Qual o prognóstico dos pacientes acometidos de leucemias?

Dr. Luis Gabriel: O prognóstico das Leucemias Linfóides Agudas na infância é excelente, com um percentual alto de chance de cura, que pode ultrapassar 90% cos casos em alguns subtipos.

Já estas leucemias nos adultos tem um prognóstico mais desfavorável, com chances de cura semelhantes à Leucemia Mielóide Aguda nos adultos, sendo que esta chance pode ser melhorada com a associação de transplante de medula óssea para casos selecionados.

As Leucemias Mielóides Crônicas estão entre os cânceres que tiveram melhora mais acentuada no prognóstico desde a década passada, com o aparecimento das Terapia Alvo. Hoje estes pacientes conseguem controle completo a doença a longo prazo, levando uma vida normal e com expectativa de vida semelhante à da população sadia da mesma faixa etária.

As Leucemias Linfocíticas Crônicas são em geral doenças bem controláveis, porém, alguns subgrupos de pacientes podem apresentar doença de evolução mais agressiva, necessitando tratamento mais prolongado e com medicações mais potentes. Felizmente novas alternativas de tratamentos, principalmente entre as Terapia Alvo, tem surgido para melhorar seu prognóstico.

Foto: Assessoria HCL


*As informações aqui veiculadas foram produzidas a partir do conhecimento de profissionais da área. No entanto, não substituem o acompanhamento e diagnóstico criterioso de um médico, devidamente preparado e habilitado. No caso de dúvidas ou do aparecimento de qualquer sintoma, procure um médico o quanto antes. 

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