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Cirurgia para reconstrução de mandíbula em Londrina dura 15 horas

Paciente havia ficado com rosto desfigurado após remoção de um tumor; técnica incluiu tecnologia 3D e enxerto ósseo da perna

Reportagem: Vitor Ogawa | Grupo Folha - Confira a matéria original

Se você já sorriu hoje, considere-se um privilegiado. Há pessoas que lutam para conseguir se manifestar dessa forma novamente. São aquelas que possuem defeitos mandibulares, causados por uma variedade de fatores, incluindo traumas, osteomielite, osteonecrose e tumores. A não reparação desses defeitos pode causar desfiguração facial, redução da capacidade mastigatória, dificuldade da fala, problemas respiratória, afetando severamente a qualidade de vida dos pacientes. Recentemente, uma paciente em Londrina foi submetida a uma cirurgia de 15 horas no Hospital do Câncer para reconstrução mandibular.

A paciente, de 61 anos, ficou com o rosto desfigurado após remoção de um tumor na mandíbula, há 10 anos. Naquela época o máximo de tecido afetado foi removido para evitar a metástase. Após a cirurgia, foram feitas sessões de radioterapia para eliminar as células malignas restantes.

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Imagens: Divulgação

Para reconstruir a mandíbula foi adotada uma técnica que ainda era inédita na cidade, utilizando a tecnologia para esculpir a prótese a laser em um bloco de titânio. E sobre essa peça de metal foi colocado um enxerto ósseo retirado da perna para reconstruir a mandíbula. Isso possibilitará que, em breve, seja possível realizar o implante dentário sobre esse osso.

Fizeram parte da equipe os cirurgiões Marcos Heidy Guskuma e Eduardo Hochuli Vieira, Wilson Kaneshima Júnior, Paula Tavares Franzon e Henrique Kunio Sato (todos buco-maxilo-facial), Daniel Longhi (plástico) e Guilherme Ogawa (ortopedista). A cirurgia foi realizada no dia 21 de setembro.

“Começamos a planejar há cinco anos, quando esse tipo de técnica começou a ser difundido. Pensamos em uma prótese personalizada, mas tudo isso demanda um planejamento e um custo maior”, afirmou o cirurgião Marcos Guskuma, que destacou que todo o procedimento foi custeado pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Segundo ele, a área a ser reconstruída era muito extensa e ia de um molar a outro.

PRÓTESE EM AMBIENTE VIRTUAL

“A prótese foi confeccionada no Rio Grande do Sul, mas para criá-la no ambiente virtual foi preciso fazer uma tomografia do crânio da paciente para inserir os dados no software que possibilita ver a imagem de forma tridimensional. A partir disso, como a articulação foi toda alterada por causa da musculatura, é preciso fazê-la voltar para posição normal para depois fazer a prótese no ambiente virtual”, explicou. Tudo isso foi validado por Guskuma até chegar no desenho ideal. Após a prótese ter sido esculpida, ela foi esterilizada para ser colocada na paciente.

A remoção da fíbula também foi planejada e a empresa que enviou a prótese também enviou a guia de corte do osso da perna. “Esse osso reto teve que ficar no formato de ferradura, mas fazer esses cortes são difíceis à mão livre. Com as guias de corte foi só cortar com a serra nas marcações e dobrar o osso que tudo se encaixou perfeitamente na prótese”, detalhou. Das 15 horas de cirurgia, o encaixe da prótese durou duas horas aproximadamente.

TÉCNICA DELICADA

O restante do tempo foi gasto na remoção da fíbula da perna e o seu deslocamento para a mandíbula. “Aí entra o trabalho dos outros cirurgiões. O ortopedista Guilherme Ogawa e o cirurgião plástico Daniel Longhi extraíram esse osso da perna com os vasos sanguíneos e fizeram a ligação deles nos vasos sanguíneos do pescoço. Isso é feito para que esse osso continue recebendo sangue e não sofra um processo de necrose. Essa técnica de ligação é feita por meio de sutura de vasos sanguíneos que exige microscópios e fios de sutura bem mais finos que estamos acostumados. É uma técnica bem mais delicada”, destacou.

A cirurgia estava prevista inicialmente para ser realizada em junho, mas foi postergada em função da suspensão das cirurgias eletivas provocada pela pandemia do novo coronavírus. Ele ressaltou que foram realizadas reuniões com os demais cirurgiões para planejar cada etapa do procedimento. “Tínhamos que pensar até no número de pessoas que ficaria no local. Existe um limite de pessoas que podem ficar em uma sala de cirurgia.”

SENSAÇÃO

Após a conclusão, Guskuma ficou feliz por tudo ter dado certo. “ É um sentimento misto de tirar o peso do planejamento que a gente vem fazendo há alguns anos e, ao mesmo tempo, fico feliz de ter dado tudo certo com a paciente. Ela saiu bem, não teve intercorrências. É um grande alívio e tenho a sensação de dever cumprido”, apontou. Ele calcula que a cicatrização deve demorar três meses e posteriormente será iniciado o implante. Após isso, levará mais três meses para colocar as próteses dentárias que devem devolver o sorriso à paciente.

'UM BOM CHURRASCO'

A paciente que se submeteu a essa cirurgia inédita em Londrina de reconstrução da mandíbula é uma mulher de 61 anos, casada e com três filhas. Ela ainda se recupera da cirurgia, e o marido, de 67 anos, conversou com a reportagem. "Foi algo inédito. Nunca pensei que veria a medicina nesse estágio. Essa equipe de Londrina é motivo de orgulho e queremos compartilhar com todos os pacientes que precisarem se submeter a uma cirurgia como essa para ficarem tranquilos. Agradecemos a Deus e posso dizer depois disso que para tudo se dá um jeito”, afirmou.

Segundo ele, a mulher passou por 15 cirurgias no rosto nesse período de dez anos, desde que removeu parte da mandíbula por causa de um tumor. “No início ela se alimentava por sonda e depois que as primeiras cirurgias cicatrizaram ela passou a se alimentar pela boca, triturando o alimento antes e depois empurrava a comida com o dedo pela garganta. Não era dolorido, mas era traumático. Era difícil levá-la para restaurante”, relatou.

“Está tudo bem com ela. A gente está vendo irrigação da face e está tudo rosado. O queixo está formado e a prótese foi bem estudada. A língua dela, que havia sido suturada com a parte interna da boca, foi solta e agora está tudo legal”, declarou o marido. "Ela está feliz. É uma guerreira e sempre superou as dificuldades. Ela sempre teve a esperança de recuperar a mandíbula. Não reclamou de nada, e não teve efeito colateral algum”, disse o marido.

Durante a cirurgia as três filhas ficaram se revezando no hospital e repassavam as informações dos médicos para o marido, que é aposentado. “Não foi fácil, porque a gente sabe que toda cirurgia oferece riscos. Fiquei muito preocupado, mas as minhas filhas foram repassando as informações para mim”, destacou. “O processo pode ser doloroso, mas a cura é muito doce. Assim que os dentes estiverem reconstituídos ela quer comer um bom churrasco. Ela gosta de uma carne”, contou.

HCL

Em 2019 o HCL (Hospital do Câncer de Londrina) realizou, ao todo, 8.502 procedimentos cirúrgicos. Foram registrados 64 novos casos de câncer em ossos, articulações e cartilagens articulares; e cinco novos casos de câncer de mandíbula. O diretor clínico do HCL, Marcos Silveira Lapa, ressaltou que a técnica utilizada na cirurgia de reconstrução mandibular é inovadora para nossa região. "Vamos observar como será a evolução da paciente para ver se houve sucesso significativo. Certamente essa cirurgia abre o caminho para novos procedimentos semelhantes que podem beneficiar um bom número de pacientes", destaca.

Lapa explica que a paciente teve alta e demonstrou uma evolução satisfatória em todo o procedimento. "Essa cirurgia traz uma inovação importante no tratamento de sequelas terapêuticas pós-operatórias. Isso traz um grande benefício na qualidade de vida para esta pessoa. Acreditamos que seja o início de um caminho na busca de respostas no auxílio ao paciente", reforça.

O diretor afirma que a cirurgia só foi possível porque a paciente não tem doença residual. "Não é uma paciente oncológica com a doença em progressão. Senão ela não teria indicação para fazer esse tipo de procedimento, que é de altíssima complexidade e envolve várias áreas médicas para ajudar em todo esse processo", destacou.

"Isso vai lhe trazer uma nova perspectiva e promoverá a melhora de sua auto-estima. Para nós é muito importante que essa cirurgia tenha sido realizada em nosso serviço, colocando um benefício ao doente além do tratamento oncológico em si", afirma.

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